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O papel de uma loja de Comercio Justo
em países da América  Latina
Catalina Sosa
Fundação Sinchi Sacha
www.sinchisacha.org
Quito – Equador
Catalina Sosa Andino é doutora em Filosofia, especializada em culturas e povos indígenas, fundadora da Fundação Sinchi Sacha e atualmente sua diretora Executiva; fundadora do Secretariado Regional IFAT América - Latina, vice-presidenta da Associação IFAT LA; e encarregada de comercio justo e relações internacionais do Museu Mindalae.
As  lojas de Comercio Justo ou de Economia Solidária, que até o momento se abriram nesta região Sul, são espaços comerciais criados por organizações que praticam e difundem os princípios e estandars da Economia Solidária e o Comercio Justo. Ou seja, se trata de uma nova forma de empreendimento comercial, que baseia suas atividades empresariais em estandars sociais, ecológicos, culturais e aspira a um rendimento econômico que lhe permita manter-se, de maneira estável, através do tempo.

A pergunta eminente é Como uma empresa social  pode  conseguir rentabilidade econômica? É possível aplicar os estandars sociais, ecológicos e culturais, próprios da prática do Comercio Justo e paralelamente alcançar a necessária rentabilidade econômica, que o faça sustentável?


Precisamente esse é o desafio que está em questão. Alcançar o difícil equilíbrio de domesticar a oferta e a demanda para que ambas se ponham harmonicamente de acordo, de maneira que os produtos cheguem ao comprador final com um preço razoável, uma vez que se tenha cumprido com o pagamento de um preço justo a um prazo oportuno. Sobre destacar que paralelamente se cumprem os estandars ou princípios de Comercio Justo. Os mesmos que têm sido explicitamente determinados pela Associação Internacional e comercio Justo, IFAT- por suas siglas em inglês.
A  Economia Solidária influencia de maneira decisiva na atividade comercial. Poder-se-ia visualizar a Economia Solidária e o Comercio Justo como um par que se nutrem mutuamente. Se bem que a primeira abrange um universo mais amplo, o Comercio Justo, é o tamis através do qual, o produto passa e rende seu lucro efetivo aos diferentes atores da cadeia produtiva – comercial.
A cadeia comercial solidária, como a chamamos entre organizações de Comercio Justo, tem vários acordos comerciais, que necessariamente acontecem num clima de confiança e de maneira transparente. Um desses estádios  pode dar-se sob a estrutura de uma loja. Na nova empresa social, se trabalham as relações empresariais de três tipos:

1. Com o pequeno produtor no estabelecimento do preço e a forma de pagamento.
2. Com um staff, que pode receber salário ou trabalhar de forma voluntária.
3. Com o consumidor final, a quem se deve um produto de qualidade, com informação confiável e suficiente tanto sobre os produtos como sobre a nova filosofia comercial da loja.

As lojas têm que profissionalizar-se
e têm que ter êxito comercial.:
¡Têm que vender!


ASPECTOS DAS LOJAS

Sobre a profissionalização dentro da loja
Conseguir vendas é toda uma arte, que passa por trabalhar em vários aspectos.
Consiste em ter sistema estrito administrativo e de controle, horário de atenção ao público fixos e permanentes, ótima atenção ao público (se fosse necessário, inclusive atenção bilíngüe), limpeza, organização harmônica da loja, clara sinalização, informação idônea e atualizada de cada produto, estoque  suficiente, embalagem apropriada, oferecer formas de pagamento diferido. Um aspecto primordial é a localização da loja numa zona comercial ou turística, onde rendam frutos todos os aspectos recomendados.
As lojas têm que profissionalizar-se e ter êxito comercial: têm que vender!

A incidência política e pública.
Um espaço no qual se pode fazer incidência política sobre temas próprios da Economia solidária, como:

            A soberania alimentar
            O consumo responsável
            I identidade cultural do pequeno produtor.
            A defesa do meio ambiente
            A mudança climática
            A equidade de gênero
            O trabalho infantil

E onde tenha informação adequada sobre cada produto e sobre os avanços do movimento de Economia Solidária a nível local, nacional e regional.

Sobre la credibilidade e a certificação.
A certificação de lojas e de produtos de Comercio Justo, é um tema que vai ganhando vigência. O IFAT frente a este desafio se encontra em processo de criar um sistema de monitoramento para seus membros, denominado Sistema de Gerencia Sustentável de Comercio Justo, o mesmo que permitirá a cada um de seus membros medirem seus avanços com respeito a seus primeiro diagnóstico. Este sistema se converte em uma prática de melhoramento e monitoramento permanente, basicamente em três campos.

1. A prática do Comercio Justo
2. O desempenho empresarial; e,
3. A sustentabilidade ecológica

CONCLUSOES

Os espaços comerciais  que foram criados na América Latina foram produtos de uma importante trajetória de organizações de desenvolvimentos alternativo, que tentam dar uma resposta concreta a eminente necessidade de incidir na pratica comercial com os princípios do Comercio Justo. O desfio comercial é grande, principalmente porque a arena comercial que impões o comércio tradicional está muito longe de apreciar a integridade do ser humano, de ter relações de confiança e respeito, e de priorizar a pessoa frente aos lucros.
É animador constar que há lojas de organizações de Comercio Justo e de Economia solidária, que começam a sair adiante com relativo êxito comercial, outras que já se afiançaram e sobre passaram o lustro e o entusiasmo com que muitas outras estão a ponto de dar o passo `a criação.
A sociedade civil, se bem que pode ter escassa informação sobre o movimento de Economia Solidária, começa a visualizar na prática, novas formas de organizar um negócio, novas formas de abordar a compra e venda. Assim como a nova visão que adquire a sociedade civil sobre o consumo responsável.
A recomendação final, vai em torno  a ver a necessidade de que todas estas iniciativas convirjam num movimento organizado, que vão trabalhando sobre as sinergias e os espaços de ação comuns. Demos os passos necessários para construir uma cadeia de lojas, que bem pode nutrir ao vigoroso  movimento de Economia Solidária e Comercio Justo, outorgando-lhe identidade e êxito comercial.

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