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Criar fontes de trabalho em povoados originários através do artesanato
Mercedes de Majo
Fundação Silataj
Representante
www.fundacionsilataj.org.ar
Argentina
Mercedes de Majo é  socióloga, membro da equipe de Fundação  Silataj, age como enlace com as organizações de Comercio Justo da Argentina e o mundo, e trabalha especialmente com comunidades rurais e aborígines que vivem em zonas desfavoráveis, contribuindo a melhorar sua qualidade de vida.


A fundação Silataj, da Argentina, desenvolveu uma dinâmica forma de trabalhar com produtores e produtoras indígenas apoiando a produção e a comercialização de diversos artesanatos destas comunidades. Uma de suas estratégias de comercialização é a loja, e atualmente tem uma rica experiência com dois modelos de lojas com características próprias cada uma.

M.J. Que tipo de organização é a  SILATAJ?
M.M.:
Uma fundação, registrada na Inspeção Geral de Justiça como requerido pelas leis argentinas. As decisões se tomam em conjunto entre os membros. Sua função é criar  fontes de trabalho nas comunidades de povoados originários da Argentina através do artesanato. Além disso, procura responder a diferentes problemas que propõem as comunidades para melhorar suas condições de vida. Neste sentido, se acompanham empreendimentos vinculados à saúde, educação e recursos naturais

M.J. Quantos produtores são membros ou participam na produção?
M.M:
Atualmente Fundação Silataj trabalha com artesãos de 26 comunidades do norte argentino: na zona chaquenha das províncias de Salta e Formosa com grupos Wichí, Chané, Chorote, Pilagá e Toba e em Jujuy com comunidades Kolla. A isso se somam artesãos da província de Catamarca.
Fora dos kolla, todas estas comunidades aborígines foram antigamente caçadores, pescadores e coletores de frutos do mato e, se bem atualmente seu meio ambiente tem sido gravemente degradado, elas conservam estas atividades como parte de sua economia.
A maioria destas comunidades está a mais de 2.000 km. De Buenos Aires.Em cada uma delas, dezenas de artesãos e artesãs vendem sua produção a Silataj desde o ano de 1986.
Atualmente  Fundação Silataj trabalha com artesãos de 26 comunidades do norte argentino

M.J.:  Por que decidiram abrir uma loja?
M.M.:
Porque era  a melhor forma de conseguir a comercialização dos artesanatos.
Além disso, se tratava de dar-lhes visibilidade na grande cidade a estas comunidades marginalizadas e esquecidas.

M.J.: Por que duas lojas?
M.M.:
Porque Silataj leva anos trabalhando em conjunto com outras organizações similares, dedicadas a recuperar a dignidade das comunidades aborígines e rurais da Argentina através do trabalho artesanal. E neste caso, por afinidade  nos princípios e objetivos, decidiram apostar a uma loja conjunta, compartilhada pelas três organizações. E se bem Silataj tem sua loja no bairro de Belgrano, a segunda loja, aberta no ano de 2207, representa uma oportunidade para as outras duas organizações, com base nas províncias de Rio Negro e Formosa, de mostrar seus produtos em Buenos Aires.

M.J. Como e quem as administram?
M.M.
A loja de Silataj em Volta de Obligado 1933 é administrada exclusivamente pelos membros de Silataj, enquanto que a administração e organização da loja compartilhada na Liberdade 948 é responsabilidade das três organizações amigas.: Fundação Silataj, Fundação Niwok e Associação Surcos Patagônicos.

O desafio é que os portenhos saibam de que falamos quando falamos de Comercio Justo

M.J.: Em que se destaca cada uma delas?
M.M.
A loja de Libertad 948, a que chamamos Arte dos povos, tem à venda artesanatos de comunidades acompanhadas pela Associação Surcos Patagônicos e pela Fundação Niwok. As lojas de Libertad abriu suas portas há muito pouco tempo, assim que esperamos poder agradar os vizinhos e turistas que habitualmente passeias por ali. Ambas estão calidamente ambientadas e atendidas por pessoas que conhecem a historia das organizações, dos artesãos e seu trabalho.

M.J. Qual é a principal característica das lojas?
M.M:
Que oferecem um lugar de refúgio onde reencontrar-se com as raízes, com o trabalho genuíno que produzem os costumes e técnicas ancestrais dos povos originários da Argentina. Em ambas se brinda informação e folhetaria e se podem ver fotografias explicativas do processo de trabalho artesanal, as matérias primas que utilizam, etc.

M.J. Qual é a sua maior conquista e seu maior desafio?
M.M.:
A maior conquista de Silataj tem sido manter-se no tempo, com os altos e baixos próprios do país, conseguindo manter relações duradouras com os artesãos, melhorando a comunicação e a qualidade dos artesanatos, permitindo a seus membros conhecer pessoalmente a cada um dos membros das famílias dos artesãos. Conhecer suas necessidades, ouvi-los, financiar atividades solicitadas pelos mesmo de acordo a suas necessidades.
O maior desafio é que nossa nova loja da rua Liberdade 948 cresça e perdure no tempo tanto como a outra, que se converta num ponto de referencia da cidade de Buenos, aonde ir a conhecer mais a respeito do  Comercio Justo e o Consumo Responsável. O desafio é que os portenhos saibam do que é  que falamos quando falamos de  Comercio Justo e adquirem hábitos de compra em nossa loja e outras lojas de Comercio Justo da cidade.

M.J.:  De que forma participam os e as produtoras e produtores?
M.M.:
Os produtores se alegram quando sabem que seus artesanatos se vendem, se motivam para conseguir que agradem mais aquelas que não venderam tanto.
Participam claramente consensuando o preço para suas peças cada mês, em cada visita dos membros de Silataj. No caso de Surcos Patagônicos, os artesãos também se ocupam de atender, em forma alternada, a loja do Mercado da Estepa, muito próxima à cidade de Bariloche.

Eles também,em  algumas ocasiões, sugerem novas idéias.
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